Alma e mente de um pacificador

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Alma e mente de um pacificador

Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt5: 9) Quem é o pacificador? É o que manifesta forte compromisso e real prazer em promover a paz na relação do homem consigo mesmo, na relação do homem com o próximo e na relação do homem com Deus. Ele odeia a guerra.

Qual o origem desse amor pela harmonia? Ele é descrito por Cristo como alguém que passou pela comovente e transformadora experiência do arrependimento acompanhado de lágrimas (Mt 5:3,4). Descobriu que não sabia amar. Chorou por isso. Pediu perdão. Recebeu o abraço divino. É impossível receber o abraço perdoador de Deus e não ter a relação com a totalidade da vida transformada para sempre.

O compromisso com a paz prova que ele tem o DNA do seu Criador. Ele é filho de Deus. O Pai se vê nele.

Como funciona sua mente?

 
  1. O pacificador conhece -a partir de experiência própria, fruto da obra de iluminação do evangelho em sua vida-, o poder do amor próprio, que conduz os homens a declararem guerra uns aos outros por força dos interesses mesquinhos dos seus corações.
  2. O pacificador é capaz de antever os resultados da guerra. Destruição da vida de pessoas a quem ele é chamado por Deus a amar.
  3. O pacificador sabe da tendência humana ao partidarismo. Nos dividimos por tudo. Estamos divididos dentro de nós, em nossas casas, em nossas igrejas, na sociedade. Nos comportamos como deuses. Eu acho que tenho direito a ter o que você recusa-se a me dar. Como não conseguimos chegar a um acordo civilizado, brigamos. Vivemos um choque de divindades. Parece que para construirmos um senso de identidade e forjarmos uma consciência de grupo precisamos eleger um inimigo.
  4. O pacificador percebe o ganho psicológico das guerras entre os homens. Elas os mantém distantes da relação mais verdadeira consigo mesmos. Os faz entretidos com o que os afasta do intolerável contato com a sua finitude, frustrações pessoais e precariedade dos recursos de que dispõe para evitar as desgraças que os ameaçam. Empunham a arma e vão para o campo de batalha porque não conseguem ficar em casa. Sua companhia lhes é insuportável.
  5. O pacificador tem consciência dos efeitos da paixão sobre as análises racionais dos seres humanos. Ela os leva a condenar o inocente, inocentar o culpado, chamar anjo de demônio, chamar demônio de anjo. Suprime a verdade, superdimensiona faltas, relativiza crimes. Quem consegue ficar do lado da verdade contra si mesmo?
  6. O pacificador teme ser instrumento do inferno para a promoção dos seus interesses no mundo.
  7. O pacificador não é um pacifista. Há ocasiões nas quais o amor remete quem ama a paz a enfrentar quem oprime o indefeso. Ele sabe, contudo, que causas abraçar e em qual espírito conduzi-las.
  8. O pacificador tem como certo que o comportamento amável desarma os espíritos, que a resposta branda desvia o furor e que transformar inimigos em amigos é arte a ser aprendida pelos filhos de Deus.
  9. O pacificador não quer voltar a praticar os mesmos atos de desamor que o levaram a chorar de arrependimento na presença de Deus.
  10. O pacificador, por conhecer a Deus, ama ao próximo como a si mesmo. Nisso reside o motivo maior do seu compromisso com a paz.
 

Nosso país está em crise. Nunca vimos tanto rompimento de amizade, tanto ódio, tanta intolerância.

Fala-se em banho de sangue nas ruas. Comenta-se que as Forças Armadas já estão de prontidão.

Lamento dizer, mas a igreja se tornou indistinguível da sociedade não cristã, nesses dias nos quais deveria ser -luz que ajuda aos homens a entenderem a natureza e as causas das guerras que inventam.

Pastores e líderes cristãos destilando raiva, crentes fazendo piada grosseira com aqueles de quem discorda, igrejas inteiras demonstrando surpreendente incapacidade de fazer pontes entre os seres humanos, não respeitando até mesmo suas próprias divergências internas. Irmão deixando de amar irmão. Deplorar esse tipo de comportamento não é pieguice. Trata-se daquilo de que nos arrependeremos nos momentos da mais alta realidade nos nossos cultos; quando Deus vem a nós e nos lembra quem somos e qual a nossa missão no mundo.

Não o convido para suprimir o que pensa. Sou ativista social assumido. Amo a militância nas ruas. Eu mesmo tenho ponto de vista tornado público sobre a crise política. Todos o temos. Somos livres para protestar. Devemos fazê-lo. A Constituição Federal o permite. Só não somos livres para deixar de ser crente.

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz… porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livre que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto e malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei”.(I Pd 2: 9, 15-17).

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