DA TRINCHEIRA TEOLÓGICA PARA A PRÁXIS CRISTÃ

DA TRINCHEIRA TEOLÓGICA PARA A PRÁXIS CRISTÃ

 da-trincheira-teologicaSuplico uma trégua. Ninguém ofende mais ninguém. Sairemos das trincheiras teológicas para falarmos das nossas ações, compartilharmos ideias, conjugarmos esforços e trazermos a justiça de Cristo para o país. Proponho:

  1. Dar início a contato íntimo com a miséria do Brasil. Fazermos levantamento das comunidades mais pobres das nossas cidades e as visitarmos; a ponto de chegarmos a conclusões pessoais sobre a condição dos miseráveis, sem intermediação de quem quer que seja.
  2. Ouvir as pessoas. “Nada sobre mim sem mim”, o pobre diria. Vamos ouvi-lo, conhecer sua dor, saber o que sonha e ajudá-lo a ampliar os seus sonhos.
  3. Investir em trabalho de plantação de igrejas nessas comunidades pobres.
  4. Fazer muita filantropia. Reformar barracos, doar roupa, distribuir cesta básica.
  5. Levar obra de desenvolvimento humano para dentro desses bolsões de miséria: qualificação profissional, esporte, arte. Ajudar o pobre a transcender a pobreza através do estudo e do trabalho.
  6. Exercer pressão política a fim de que o poder público -União, Estados e Municípios-, cumpram a Constituição Federal: “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados…”.

Fica estabelecido, a partir de agora, que, quem não está cuidando dos miseráveis terá a obrigação de orar, encorajar, patrocinar, ouvir, os que estão na ponta lidando com a pobreza, as balas perdidas, as ameaças à vida e a perseguição exercida por políticos profissionais e matadores.

Termino, com citação feita por Friedrich Engels, no seu clássico, “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, sobre o depoimento do doutor Lee (pastor da Old Church de Edimburgo) prestado a Commision of Religious Instruction (Comissão de instrução religiosa), em 1836:

“Até hoje, nunca em minha vida vi tanta miséria como a que existe em minha paróquia. As pessoas não têm móveis, não têm nada; é comum que dois casais vivam num mesmo quarto. Num só dia, visitei sete casas onde não havia camas -em algumas, nem palha havia; octogenários dormiam no chão, quase todos conservavam à noite as roupas usadas durante o dia. Num porão, encontrei duas famílias vindas do campo; pouco tempo depois de sua chegada à cidade, morriam duas crianças e uma terceira agonizava quando da minha visita; para cada família, havia um monte de palha suja num canto e, ainda por cima, o porão, tão escuro que não permitia distinguir-se um ser humano em pleno dia, servia de estábulo a um burro. Mesmo um coração de pedra sangraria diante da miséria de um país como a Escócia”.

Esperar choque de capitalismo ou revolução do proletariado para começar a mudar o destino de milhões de miseráveis, que, em pleno século 21, vivem drama análogo ao dos necessitados da Escócia do século 19 -no país que se encontra em sétimo lugar no ranking das economias mais poderosas do planeta-, significa ter um coração de pedra.

Antônio Carlos Costa 

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